sexta-feira, 30 de março de 2012

Carta a Lúcia Bona

Teresina 20 de Agosto de 2004
Presentes- Amigos
Boa Noite

  Conheci Lúcia Bona em 1967. Éramos ainda crianças. No ano seguinte (1968) ingressamos juntas no 1º ano ginasial, iniciando ali a solidificação de uma relação que já dura aproximadamente 36 anos. Uma vida.
  Ao parar para escrever estas reminiscências, imediatamente, como em um filme em tecnicólor, vêm a minha mente imagens, fragmentos e recordações vivas de nossa juventude e aí percebo o quanto juntas estivemos desde àquela época, e o quanto partilhamos de momentos importantes de nossas vidas.
  Os quatro anos de ginásio Stº Antônio, foi uma fase marcante, pois foram vividos intensamente com rebeldias... irreverências... tão próprias da idade. Eu, Lúcia Bona, Margozinha e Bernadeth formávamos o quarteto inseparável e insuportável "do pedaço". Também contávamos como parceiros e equipe de apoio, com outras figuras terríveis e queridas de nossa turma como o Dibidú, Monobloco Ratinhos Marlene da Rosa Piau, Mororó, Luís Emídio e tantos outros... Podíamos tudo naquele tempo: Faltar aula pra tomar garapa de cana; para aprender a fumar, pegar sem o devido consentimento algumas broas no Dico da Pedra; ir ao restaurante do Décio Bastos puxar a toalha e correr; cuspir no terraço limpinho do Dr. Altivo; ir de bicicleta até a Residência pegar "emprestado" capotes do Prof. Raimundinho; dar voltas no açude grande de carroça. Ah! quantas peraltices e irreverências partilhamos e fomos cúmplices... quantas saudades... Todos esses momentos da fase juvenil marcaram nossa personalidade e contribuiram para alimentar o fraterno carinho que vem encantando e solidificando nosssas relações.
  Depois de vivermos tão intensamente estas experiências deliciosas, veio um hiato tão sentido: Lúcia Bona nos deixa e vai estudar no R. G. do Norte e depois em Brasília. Entretanto, ficavam reservadas às colegas do C. Maior às férias que, invariavelmente, serviam de palco onde continuávamos a celebrar a vida compartilhando as alegrias e os mistérios de um futuro que, apesar das incertezas, acreditávamos promissor.
  E as asas do tempo nos transportam para outras searas da vida. Crescemos. Amadurecemos. Casamos e tivemos filhos, que foram criados juntos. E continuamos a partilhar as nossas alegrias, felicidades e dificuldades... procurando a realização das nossas missões que recebemos na grande caminhada da vida.
 É, não há dúvidas de que somos verdadeiramente amigas e o tempo é um valioso testemunho dessa amizade, conquanto, não a afetou.
  Lúcia, você tem inúmeras qualidades e, dentre elas, são marcantes a honestidade e a fidelidade aos seus princípios e sentimentos, que me deixam ainda mais gratificada e feliz por ter podido conviver com você por todos esses anos. Os laços que nos unem são fortes e verdadeiros e foram reforçados e coroados com o presente maior que você me deu: o Klebinho, como afilhado.
   Você ocupou sempre todo o cenário de minha vida afetiva e hoje nos seus ''15'' anos desejo de todo coração que os seus sonhos se tornem realidade e os desafios da vida a tornem mais forte, culminando com a coroação da vitória por tudo que você construiu.
           
                                            Um abraço afetuoso da amiga Berenice.